A reflexão de hoje visa a corroborar com o fortalecimento da visão do ‘NÓS’ em detrimento do eu. Tem em vista a busca e a compressão do universo que nos cerca e nos compete na sociedade, por isso, o dia internacional da mulher parece servir bem a este propósito. Afinal, nós mulheres sofremos o tempo todo e vivemos muitas vezes questões intimamente ligadas e construída ao longo dos séculos sobre as competências e potencialidades que nos atribuem, por isso, a atuação da mulher nunca foi tão impactante, tão profícua e necessária (na verdade sempre foi, porém o que difere hoje de antigamente é o reconhecimento amplamente divulgado, disseminado e aceito) na sociedade se comparada à outras épocas.

Os conceitos construídos ao redor dos papéis das mulheres e o desenvolvimento da performance, desempenho e da excelente atividade, criou um cenário que evidencia não apenas a qualidade do trabalho da mulher, mas também potencializou, impactou e viabilizou um contexto da ‘diversidade’.

A diversidade comunica a importância de se ter um ambiente pluralista que privilegia a riqueza do todo em detrimento das partes, ou seja, o senso coletivo instaura um marco único no fortalecimento da sociedade, quando visa enriquecer os espaços de forma a discutir e favorecer o caminho da tolerância.

Segundo Agnes Heller (2008) o ‘ser genérico’ (senso coletivo, a identidade na cultura) precisa estar sempre acima do ‘ser particular’ (identidade pessoal), pois assim podemos fortalecer e trabalhar com as diferenças como uma ferramenta que beneficia o todo. Não é em vão que Hannah Arendt (2009), diz que a condição humana da pluralidade é quem instaura no homem a máxima da ação dele sobre seu meio.

[…] A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, existia ou venha a existir. (p.16)

Assim, ao pensarmos nisso, a pluralidade ressalta o sentido da máxima da alteridade. A alteridade privilegia o caminho do conhecimento do outro de forma a fomentar que as singularidades são diferenças e contrastes que favorecem a dinâmica do ser plural e genérico, tomando força, papel relevante e central pois ela não visa desprezar ou desfavorecer o outro, ao contrário, quer produzir um relacionamento horizontal daquilo que representa a condição e capacidade particular do outro na sociedade, unindo e integrando as pontes de diálogos, aceitação que visam o bem estar social acima do ‘eu’.

Assim, nós mulheres somamos forças uma as outras quando ecoamos as vozes de muitas em uma. Há ainda muito por fazer, principalmente no que tange a diferença salarial de um mesmo cargo, mas sem sombra de duvidas, o mundo nunca mais será o mesmo sem o clamor e o labor da atividade feminina no mundo. Parabéns a todas as mulheres, pela bravura, coragem e intrepidez que se soma a este senso plural e que favorece tão prontamente a condição do ‘nós’ em detrimento do eu.

 

ARENDT, H. A condição humana. Trad. Roberto Raposo. 10ªed. Rio de janeiro: Forense Universitária, 2009.

HELLER, A. O cotidiano e a história. Rio de janeiro: Paz e terra, 2008.